Universidade Federal de
Alagoas
Letras
- Língua Inglesa
Organização
do Trabalho Acadêmico
Professor:
Alan Jardel
Aluno:
Pedro Fortunato de Oliveira Neto
Tema
Geral: Linguística Aplicada
Tema
Específico: Introdução à linguística aplicada e sua utilidade em pesquisas para
sala de aula
Fichamento
de Conteúdo
Referência:
ALMEIDA, Doris Soares. Introdução à linguística aplicada e sua utilidade para
as pesquisas em sala de aula em língua estrangeira. UFRJ, 2008.
O
artigo da professora doutora Doris Almeida Soares (UFRJ, PUC-Rio, EN) começa
demonstrando como a linguística aplicada surgiu. Durante a década de 40, por
causa da segunda guerra mundial, o governo dos Estados Unidos percebeu o quanto
era importante que seus soldados aprendessem, de modo rápido, a falar a língua
do pacífico e de outros lugares para onde seriam enviados. Portanto, linguistas
como Fries, Lado e Bloomfield, utilizando dos conhecimentos que eles possuíam em
linguística, antropologia, línguas indígenas norte americanas e, influenciados
pelas recentes visões da psicologia comportamental, empirismo filosófico e
positivismo, criaram um método de aprendizado de línguas, o método áudio-lingual.
Esse método de ensino de idiomas promovia o aprendizado de estruturas
gramaticais da língua alvo por meio de repetição e imitação, sem, porém muita
reflexão das mesmas. Assim, a linguística aplicada surgiu nos Estados Unidos da
necessidade de ensino de idiomas de forma rápida e prática.
A
autora segue demonstrando como a linguística aplicada foi se desenvolvendo nos
Estados Unidos e Europa no período do pós-guerra. Em 1957, em Washington D.C, surge
o Centro de linguística aplicada. Fomentada pela Ford Foundation, com o objetivo
de auxiliar o problema do ensino de línguas em países em desenvolvimento, como
ex-colônias da França e Inglaterra. Em 1956 Pit Corder funda, na Escócia, o Departamento
de Linguística Aplicada na Universidade de Edimburgo. Era preocupação do
governo Britânico o treinamento de professores-treinadores para ensino do
inglês em países em desenvolvimento e nos países da Commonwealth. Já na França,
cidade de Nancy, surge, em 1964, a Associação Internacional de Linguística
Aplicada (AILA). Um marco, pois se começou a discutir a linguística aplicada
como uma ciência autônoma.
Em
1980 surge Kaplan. Até então a linguística aplicada era vista como uma
mediadora entre a linguística a o ensino de línguas, porém na década de 80
ficou claro que muitos linguistas aplicados viam a ciência com um campo mais
amplo. Nesse período começa a busca pela interdisciplinaridade com a
sociologia, educação, fonoaudiologia, lexicografia e etc. Expande-se, portanto
o âmbito de atuação da linguística aplicada para outras áreas além da educação,
pois a linguagem permeia todos os setores de produção do conhecimento.
No
fim da década de 80, com a visão sócio construtivista, a linguística aplicada
pôde centrar-se na investigação dos problemas do uso da língua, sem, contudo se
limitar à linguagem ou à linguística, pois os problemas de linguagem nunca são
somente sobre linguagem. Há a adoção do paradigma interpretativista em vez do
positivismo por grande parte dos linguistas aplicados, porém há uma coexistência
de correntes diferentes dentro da linguística aplicada, com pesquisas tanto de
tradição empírica, positivista, como qualitativa, interpretativista.
Após
o resumo histórico da linguística aplicada nos Estados Unidos e Europa, a
autora passa a focar a disciplina no Brasil. No Brasil a linguística aplicada
ganhou força a partir dos anos 80 com a criação de um maior número de programas
de pós-graduação na área e com a fundação de associações de professores de
língua estrangeira como a criação do Projeto Nacional de Ensino de Inglês
Instrumental pela PUC-SP, motivada pela necessidade de inglês dos professores
que cursavam pós-graduação.
Em
1984 surge a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e
Linguística (ANPOLL), preocupada em alterar o quadro de baixo nível de ensino
de língua estrangeira nas escolas brasileiras. E em 1990 Cria-se a Associação
de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB), filiada a (AILA), na UFPE, como
consequência do aumento de interesse e compreensão teórica desta área de
estudos no Brasil.
Almeida
destaca lgumas áreas de interesse do linguista aplicado brasileiro tais como: Ensino
de língua estrangeira, formação do docente em língua materna, bilinguismo na
população indígena, aquisição de linguagem, alfabetização, letramento, relação
entre linguagem e trabalho, pesquisas relacionadas às línguas indígenas e
variantes menos privilegiadas socialmente.
Após a breve explanação sobre a
história da linguística aplicada no Brasil, a autora destaca dois programas de
pós-graduação em linguística aplicada no Brasil, frisando, porém que existem
vários outros espalhados pelo país, eles são: O “Programa de Estudos
Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL)” na PUC de
São Paulo e o “Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar de Linguística
Aplicada” da UFRJ.
Após a descrição dos programas de
pós-graduação em linguística aplicada da PUC de São Paulo e UFRJ a autora
aborda um exemplo de questões para pesquisa em sala de aula de língua inglesa.
Embora a linguística aplicada não esteja mais restrita apenas ao ensino de
línguas, ela ainda é importantíssima dentro da área de educação. Um exemplo de
uma área de estudos que cresceu muito nos Estados Unidos foi o ensino de
redação acadêmica para alunos de fim de curso secundário e início de educação superior.
Portanto, um dos focos de interesse da linguística aplicada na América do Norte
é a falta de habilidade que os alunos demonstram ao escrever um texto acadêmico.
A autora cita a obra de Grabe e Kaplan, “Theory and Practice of Writing: An
Applied Linguistics Perspective” (1996) onde os autores, partindo de uma
perspectiva da linguística aplicada, discutem as abordagens de ensino da
escrita e Retórica Contrastiva, e escrita para fins profissionais. Almeida ainda
faz um paralelo com a situação nas universidades brasileiras, onde muitos graduandos
tem dificuldade na escrita tanto em português como em inglês.
Finalizando
seu artigo, Almeida afirma o crescimento e desenvolvimento cada vez maior da
linguística aplicada, apesar de suas poucas décadas de existência. E conclui
que a linguística aplicada tem muito a oferecer a todas as áreas de pesquisas
interessadas na melhor compreensão de como o homem constrói seu conhecimento
linguístico e como ele expressa sua identidade através do uso da linguagem.
Usei o mesmo tamanho de fonte para o cabeçalho e para o conteúdo, ARIAL 12, mas ao publicar no blog, por algum motivo que não consigo desvendar, o cabeçalho ficou com fonte menor que o texto.
ResponderExcluirOlá, Pedro!
ResponderExcluirFico feliz por você ter gostado do artigo.
Um abraço.
Doris de Almeida Soares