sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fichamento de conteúdo do artigo: Introdução à linguística aplicada e sua utilidade para as pesquisas em sala de aula de língua estrangeira.

Universidade Federal de Alagoas
Letras - Língua Inglesa
Organização do Trabalho Acadêmico
Professor: Alan Jardel
Aluno: Pedro Fortunato de Oliveira Neto
Tema Geral: Linguística Aplicada
Tema Específico: Introdução à linguística aplicada e sua utilidade em pesquisas para sala de aula
Fichamento de Conteúdo
Referência: ALMEIDA, Doris Soares. Introdução à linguística aplicada e sua utilidade para as pesquisas em sala de aula em língua estrangeira. UFRJ, 2008.

O artigo da professora doutora Doris Almeida Soares (UFRJ, PUC-Rio, EN) começa demonstrando como a linguística aplicada surgiu. Durante a década de 40, por causa da segunda guerra mundial, o governo dos Estados Unidos percebeu o quanto era importante que seus soldados aprendessem, de modo rápido, a falar a língua do pacífico e de outros lugares para onde seriam enviados. Portanto, linguistas como Fries, Lado e Bloomfield, utilizando dos conhecimentos que eles possuíam em linguística, antropologia, línguas indígenas norte americanas e, influenciados pelas recentes visões da psicologia comportamental, empirismo filosófico e positivismo, criaram um método de aprendizado de línguas, o método áudio-lingual. Esse método de ensino de idiomas promovia o aprendizado de estruturas gramaticais da língua alvo por meio de repetição e imitação, sem, porém muita reflexão das mesmas. Assim, a linguística aplicada surgiu nos Estados Unidos da necessidade de ensino de idiomas de forma rápida e prática.
A autora segue demonstrando como a linguística aplicada foi se desenvolvendo nos Estados Unidos e Europa no período do pós-guerra. Em 1957, em Washington D.C, surge o Centro de linguística aplicada. Fomentada pela Ford Foundation, com o objetivo de auxiliar o problema do ensino de línguas em países em desenvolvimento, como ex-colônias da França e Inglaterra. Em 1956 Pit Corder funda, na Escócia, o Departamento de Linguística Aplicada na Universidade de Edimburgo. Era preocupação do governo Britânico o treinamento de professores-treinadores para ensino do inglês em países em desenvolvimento e nos países da Commonwealth. Já na França, cidade de Nancy, surge, em 1964, a Associação Internacional de Linguística Aplicada (AILA). Um marco, pois se começou a discutir a linguística aplicada como uma ciência autônoma.
Em 1980 surge Kaplan. Até então a linguística aplicada era vista como uma mediadora entre a linguística a o ensino de línguas, porém na década de 80 ficou claro que muitos linguistas aplicados viam a ciência com um campo mais amplo. Nesse período começa a busca pela interdisciplinaridade com a sociologia, educação, fonoaudiologia, lexicografia e etc. Expande-se, portanto o âmbito de atuação da linguística aplicada para outras áreas além da educação, pois a linguagem permeia todos os setores de produção do conhecimento.
No fim da década de 80, com a visão sócio construtivista, a linguística aplicada pôde centrar-se na investigação dos problemas do uso da língua, sem, contudo se limitar à linguagem ou à linguística, pois os problemas de linguagem nunca são somente sobre linguagem. Há a adoção do paradigma interpretativista em vez do positivismo por grande parte dos linguistas aplicados, porém há uma coexistência de correntes diferentes dentro da linguística aplicada, com pesquisas tanto de tradição empírica, positivista, como qualitativa, interpretativista.
Após o resumo histórico da linguística aplicada nos Estados Unidos e Europa, a autora passa a focar a disciplina no Brasil. No Brasil a linguística aplicada ganhou força a partir dos anos 80 com a criação de um maior número de programas de pós-graduação na área e com a fundação de associações de professores de língua estrangeira como a criação do Projeto Nacional de Ensino de Inglês Instrumental pela PUC-SP, motivada pela necessidade de inglês dos professores que cursavam pós-graduação.
Em 1984 surge a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), preocupada em alterar o quadro de baixo nível de ensino de língua estrangeira nas escolas brasileiras. E em 1990 Cria-se a Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB), filiada a (AILA), na UFPE, como consequência do aumento de interesse e compreensão teórica desta área de estudos no Brasil.
Almeida destaca lgumas áreas de interesse do linguista aplicado brasileiro tais como: Ensino de língua estrangeira, formação do docente em língua materna, bilinguismo na população indígena, aquisição de linguagem, alfabetização, letramento, relação entre linguagem e trabalho, pesquisas relacionadas às línguas indígenas e variantes menos privilegiadas socialmente.
            Após a breve explanação sobre a história da linguística aplicada no Brasil, a autora destaca dois programas de pós-graduação em linguística aplicada no Brasil, frisando, porém que existem vários outros espalhados pelo país, eles são: O “Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL)” na PUC de São Paulo e o “Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar de Linguística Aplicada” da UFRJ.
            Após a descrição dos programas de pós-graduação em linguística aplicada da PUC de São Paulo e UFRJ a autora aborda um exemplo de questões para pesquisa em sala de aula de língua inglesa. Embora a linguística aplicada não esteja mais restrita apenas ao ensino de línguas, ela ainda é importantíssima dentro da área de educação. Um exemplo de uma área de estudos que cresceu muito nos Estados Unidos foi o ensino de redação acadêmica para alunos de fim de curso secundário e início de educação superior. Portanto, um dos focos de interesse da linguística aplicada na América do Norte é a falta de habilidade que os alunos demonstram ao escrever um texto acadêmico. A autora cita a obra de Grabe e Kaplan, “Theory and Practice of Writing: An Applied Linguistics Perspective” (1996) onde os autores, partindo de uma perspectiva da linguística aplicada, discutem as abordagens de ensino da escrita e Retórica Contrastiva, e escrita para fins profissionais. Almeida ainda faz um paralelo com a situação nas universidades brasileiras, onde muitos graduandos tem dificuldade na escrita tanto em português como em inglês.

Finalizando seu artigo, Almeida afirma o crescimento e desenvolvimento cada vez maior da linguística aplicada, apesar de suas poucas décadas de existência. E conclui que a linguística aplicada tem muito a oferecer a todas as áreas de pesquisas interessadas na melhor compreensão de como o homem constrói seu conhecimento linguístico e como ele expressa sua identidade através do uso da linguagem.

2 comentários:

  1. Usei o mesmo tamanho de fonte para o cabeçalho e para o conteúdo, ARIAL 12, mas ao publicar no blog, por algum motivo que não consigo desvendar, o cabeçalho ficou com fonte menor que o texto.

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  2. Olá, Pedro!
    Fico feliz por você ter gostado do artigo.

    Um abraço.
    Doris de Almeida Soares

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